Era mais uma manhã como as outras. O galinho Zé já estava quase sem conseguir mais cantar, contudo o miserável continuava cantando, a sorte dele é que minha mulher surtou e resolveu achar que ele o animalzinho dela de estimação, por minha parte, meu estômago há muito tempo já teria feito a digestão dele.
O sol persistia em não deixar nada nascer ou crescer, era apenas solo rachado, poeira, poeira, poeira e poeira. E quando algum matinho teimava em nascer, virava santo, com direito até a procissão.
Então, me levantei e fui até o banheiro me “lavar” e após escovar as “travas”.
Ao me dirigir até a cozinha notei que mulher já havia feito o café, então pequei minha caneca de ferro e fui pegar o bule.
-Eita peste! Tu queres me matar mulher! Nem pra avisar que o bule está pegando fogo.
- Oxente homem! E você já me viu colocar café gelado no bule?
-Ah mulher, deixa pra lá!
- Mas você se faz de besta, né homem?
-Vou trabalhar! Até mais tarde!
Peguei meu caderninho de anotações e fui para minha vendinha, lá eu vendia de quase tudo, só não tentava vender minha sogra porque sabia que ninguém iria comprar.
Ao abrir a loja, peguei minha cadeira e levei para sentar bem na entrada. E ao chegar notei que havia um objeto muito estranho na frente da minha vendinha, confesso que cheguei a colocar a minha mão na minha parte da frente e após na detrás, com intuito de verificar se minha calça ainda estava enxuta.
Era um objeto muito estranho, preto, com quatro rodas, com quatro portas, vidro escuro e um som que já estava me deixando surdo, fazia muito mais zuada que o Zé.
Quando de repente abriram-se as portas e desceram uma jovem linda e um cara simpático.
- Seu Chico! Tudo bom?
Mas quem é esse cara, fiquei a pensar.
- Sou eu, João, filho de dona Maria e de Seu José!
Mas não é possível, pensei comigo. Mas será mesmo? Esse menino saiu daqui pequeno, com uns 12 anos, se tivesse um metro era muito, acho que pesava uns 50 quilos, sendo: 20 quilos da cabeça, 20 quilos da barriga, ou melhor, 20 quilos de lombrigas e resto se dividiam pelo que se parecia com um corpo humano.
- Sou eu!
- É verdade!!!
Então, ele me apresentou sua linda esposa... Eu os levei para conhecer minha mulher, após algumas prosas, deixamos as duas saias conversando e fomos para a vendinha conversar.
O João me contou como foi sua jornada por Salvador, como havia virado um grande empresário, político e o motivo pelo qual estava passeando pela redondeza: estava fazendo campanha política, pois estava disputando uma vaga para Deputado Estadual da Bahia.
Eu como não sou besta, disse logo:
-Meu voto já é seu!
E fui pegar o caderninho para anotar o número para votar.
-Fale filho o seu número! Pois vou anotar, neste caderninho eu anoto tudo: o que eu vendo, contato, quem me deve, a quem eu devo, o que vendo e o que preciso comprar.
-Mas seu Chico, em plena era da tecnologia o senhor ainda usa isso para controle? Um momentinho!
Depois de algum tempo ele retornou com um objeto estranho, mas um. O objeto era um pouquinho maior que meu caderninho.
- Aqui Seu Chico aonde eu anoto e guardo tudo: contato, resultados da empresa, contrato, fotos, mando e recebo mensagens, etc.
- Sério?
- O senhor quer um? Ele não rasga, não dar mofo e nem traça.
- Não meu filho! Prefiro meu caderninho, pois nele eu anoto tudo que fiz no dia, e no dia seguinte vou à casa de Seu Joaquim e tiro cópia de tudo, tiro em uma máquina que o filho dele trouxe da capital.
-Tem certeza que o senhor não quer um notebook?
- o quê?
- Isso que estou nas mãos!
-Não!
Três horas depois, o João apareceu com uma cara de quem tinha acabado de ver o Diabo, estava assustado e chorando.
- O que foi meu filho?
- Fui atacado por um cachorro e o infeliz destruiu meu notebook.
- E você está chorando por isso? O importante é que você e sua esposa estão bem.
- Mas eu pedir todos os meus arquivos.
- Mas você não fazia Backup?
- Backup?
- Foi o filho de seu Joaquim que mim falou sobre ele. É por isso que eu tiro cópia de tudo que eu escrevo no meu caderninho. Dessa forma, se eu perder o meu caderninho, basta pegar as cópias.
- Não, perdi tudo.
-Que pena.
Cuidado!!! No Mundo Moderno, pequeno detalhe faz uma grande diferença!!!
Autor: Ronaldo de Jesus
Autor: Ronaldo de Jesus

