sábado, 10 de julho de 2010

O “Clássico” x O Moderno


Era mais uma manhã como as outras. O galinho Zé já estava quase sem conseguir mais cantar, contudo  o miserável continuava cantando, a sorte dele é que minha mulher surtou e resolveu achar que ele o animalzinho dela de estimação, por minha parte, meu estômago há muito tempo já teria feito a digestão dele.

O sol persistia em não deixar nada nascer ou crescer, era apenas solo rachado, poeira, poeira, poeira e poeira. E quando algum matinho teimava em nascer, virava santo, com direito até a procissão.

Então, me levantei e fui até o banheiro me “lavar” e após escovar as “travas”.

Ao me dirigir até a cozinha notei que mulher já havia feito o café, então pequei minha caneca de ferro e fui pegar o bule.

-Eita peste! Tu queres me matar mulher! Nem pra avisar que o bule está pegando fogo.

- Oxente homem! E você já me viu colocar café gelado no bule?

-Ah mulher, deixa pra lá!

- Mas você se faz de besta, né homem?

-Vou trabalhar! Até mais tarde!

Peguei meu caderninho de anotações e fui para minha vendinha, lá eu vendia de quase tudo, só não tentava vender minha sogra porque sabia que ninguém iria comprar.

Ao abrir a loja, peguei minha cadeira e levei para sentar bem na entrada. E ao chegar notei que havia um objeto muito estranho na frente da minha vendinha, confesso que cheguei a colocar a minha mão na minha parte da frente e após na detrás, com intuito de verificar se minha calça ainda estava enxuta.

Era um objeto muito estranho, preto, com quatro rodas, com quatro portas, vidro escuro e um som que já estava me deixando surdo, fazia muito mais zuada que o Zé.

Quando de repente abriram-se as portas e desceram uma jovem linda e um cara simpático.

- Seu Chico! Tudo bom?

Mas quem é esse cara, fiquei a pensar.

- Sou eu, João, filho de dona Maria e de Seu José!

Mas não é possível, pensei comigo. Mas será mesmo? Esse menino saiu daqui pequeno, com uns 12 anos, se tivesse um metro era muito, acho que pesava uns 50 quilos, sendo: 20 quilos da cabeça, 20 quilos da barriga, ou melhor, 20 quilos de lombrigas e resto se dividiam pelo que se parecia com um corpo humano.

- Sou eu!

- É verdade!!!

Então, ele me apresentou sua linda esposa... Eu os levei para conhecer minha mulher, após algumas prosas, deixamos as duas saias conversando e fomos para a vendinha conversar.

O João me contou como foi sua jornada por Salvador, como havia virado um grande empresário, político e o motivo pelo qual estava passeando pela redondeza: estava fazendo campanha política, pois estava disputando uma vaga para Deputado Estadual da Bahia.

Eu como não sou besta, disse logo:

-Meu voto já é seu!

E fui pegar o caderninho para anotar o número para votar.

-Fale filho o seu número! Pois vou anotar, neste caderninho eu anoto tudo: o que eu vendo, contato, quem me deve, a quem eu devo, o que vendo e o que preciso comprar.

-Mas seu Chico, em plena era da tecnologia o senhor ainda usa isso para controle? Um momentinho!

Depois de algum tempo ele retornou com um objeto estranho, mas um. O objeto era um pouquinho maior que meu caderninho.

- Aqui Seu Chico aonde eu anoto e guardo tudo: contato, resultados da empresa, contrato, fotos, mando e recebo mensagens, etc.

- Sério?

- O senhor quer um? Ele não rasga, não dar mofo e nem traça.

- Não meu filho! Prefiro meu caderninho, pois nele eu anoto tudo que fiz no dia, e no dia seguinte vou à casa de Seu Joaquim e tiro cópia de tudo, tiro em uma máquina que o filho dele trouxe da capital.

-Tem certeza que o senhor não quer um notebook?

- o quê?

- Isso que estou nas mãos!

-Não!

Três horas depois, o João apareceu com uma cara de quem tinha acabado de ver o Diabo, estava assustado e chorando.

- O que foi meu filho?

- Fui atacado por um cachorro e o infeliz destruiu meu notebook.

- E você está chorando por isso? O importante é que você e sua esposa estão bem.

- Mas eu pedir todos os meus arquivos.

- Mas você não fazia Backup?

- Backup?

- Foi o filho de seu Joaquim que mim falou sobre ele. É por isso que eu tiro cópia de tudo que eu escrevo no meu caderninho. Dessa forma, se eu perder o meu caderninho, basta pegar as cópias.

- Não, perdi tudo.

-Que pena.
Cuidado!!! No Mundo Moderno, pequeno detalhe faz uma grande diferença!!!

Autor: Ronaldo de Jesus